Dorothea Lange: a lente que denunciou a miséria da década de 30

16.07.2019

Considerada o pior e mais duradouro momento de crise econômica mundial, a Grande Depressão iniciou-se em 1929, nos Estados Unidos, estendendo-se para diversos outros países ao longo da década de 30. A queda drástica de desemprego, produção industrial, preço das ações e, consequentemente, do PIB de diversos países, teve uma reação trágica sobre a vida cidadãos da época, propagando a miséria, foma e, por vezes, o suicídio motivado pelo desespero.

 Dorothea Lange

 

 

O sofrimento causado pela Crise de 29 ecoa até nosso tempo, pelas representações literárias e cinematográficas do assunto, como no livro As Vinhas da Ira, de John Steinback e no longa A Luta pela Esperança, protagonizado pelo ator Russel Crowe. Porém, ninguém teve mais importância no registro e compartilhamento  de imagens da Grande Depressão do que a fotógrafa americana Dorothea Lange.

 

A Fotógrafa

 

Nascida em 1895, em Hoboken, New Jersey,  Dorothea Lange foi  um dos principais nomes da fotografia documental e fotojornalismo. Seu reconhecimento veio pelos trabalhos relacionados à Grande Depressão que realizou junto a Administração de Segurança Agrícola (FSA), agência americana criada para combater a pobreza rural. Os trabalhos de Lange foram responsáveis por revolucionar a fotografia documental, além de ter  ido responsável pelo compartilhamento dos terrores decorrentes da Grande Depressão, humanizando o problema e escancarando suas consequências.

 White Angel Breadline

 

A vida de Dorothea foi marcada por uma infância difícil. Filha de imigrantes alemães, contraiu polio quando rinha apenas sete anos, o que lhe deixou como sequela uma perna mais fraca e um constante mancar, que carregou pelo resto da vida, fato que, de acordo com palavras da própria fotógrafa, nunca superou. Com 12 anos, adotou apenas o nome de sua mãe, após o pai abandonar sua família.

 

Formou-se na Escola Secundária Wadleigh para Meninas e, apesar de nunca ter manipulado uma câmera ate então, esta convencida da profissão que seguiria. Graduou-se, posteriormente, na Universidade Columbia e atu

 

Maynards Dixon

 

O Trabalho

 

Apesar de seu trabalho inicial ter sido construído sobre retratos da elite de São Francisco, com a chegada da Grande Depressão suas lentes se voltaram para a rua.

Seu estudo com as vítimas dessa era começa com “White Angel  Breadline” (1933), que mostrava um homem solitário, de costas para a multidão que esperava por um pedaço de pão em frente a um estabelecimento  gerenciado por uma viúva conhecida como White Angel. A foto chamou a atenção dos profissionais locais, levando Lange a trabalhar com a Administração Federal de Reassentamento (RA), e posteriormente com a Administração de Segurança Agrícola (FSA).

 

As imagens capturadas por Lange em serviço às duas agências citadas jogavam luz sobre a situação dos pobres e esquecidos, - particularmente meeiros, famílias de agricultores deslocados e trabalhadores migrantes – tomando a atenção geral da população. Suas fotos foram distribuídas gratuitamente para jornais da época, transformando essas imagens em ícones da época.

 Mãe Migrante

 

Lange é a autora da fotografia icônica “Mãe Migrante”, de 1936, a mais famosa fotografia da Administração de Segurança Agrícola e uma das mais reproduzidas da história da arte fotográfica, tendo sido publicada mais de dez mil vezes.

 

“Eu vi e me aproximei da mãe faminta e desesperada, como se atraída por um ímã. Não me lembro de como expliquei minha presença ou minha câmera para ela, mas lembro que ela não me fez nenhuma pergunta. Fiz cinco exposições, trabalhando cada vez mais perto da mesma direção. Eu não perguntei o nome dela nem a história dela. Ela me contou sua idade, que ela tinha trinta e dois anos. Ela disse que eles estavam vivendo de vegetais congelados dos campos ao redor e pássaros que as crianças mataram. Ela acabara de vender os pneus do carro para comprar comida. Ali estava ela sentada na tenda de cabeceira, com os filhos amontoados ao redor dela, e parecia saber que minhas fotos poderiam ajudá-la, e assim ela me ajudou. Havia uma espécie de igualdade nisso.”

 

Legado

 

Nos últimos anos de sua vida, a saúde de Dorothea Lange piorou muito. Além de sofrer de problemas gástricos, ainda carregava efeitos da síndrome pós-poli. Lange morreu de câncer no esôfago em 11 de outubro de 1965, Em São Francisco, aos setenta anos, deixando o segundo marido Paul Taylor, dois filhos, três enteados e diversos netos e bisnetos.

 

Três meses depois, o Museu de Arte Moderna de Nova York montou uma exposição com a retrospectiva de seu trabalho, exposição essa que a própria Lange ajudou a curar ainda em vida. Foi a primeira retrospectiva solo, de apenas um fotógrafo, da historia do MoMA.

 

Anos depois, já na década de 2000,  Dorothea Lange foi introduzida no Hall da Fama das Mulheres Nacionais e no Hall da Fama de Califórnia, localizado no Museu da Califórnia para História, Mulheres e Artes.

 

É, até hoje, reconhecida como um dos maiores nomes da arte e indissociável nome da história da fotografia mundial.

 

Veja, abaixo, um apanhado dos trabalhos de Dorothea Lange

 

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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