Anne Frank - Reflexões em tempos sombrios

"Vejo-nos aos oito, aqui no Anexo, como se fôssemos um pedaço de céu azul rodeado por ameaçadoras nuvens negras. O local perfeitamente circular onde nos encontramos ainda é seguro, mas as nuvens estão a avançar sobre nós, e o anel que nos separa do perigo que se aproxima é nossa busca desesperada de uma saída, vamos constantemente de encontro uns aos outros. Olhamos para a guerra por baixo de nós e para a paz e beleza por cima. Entretanto, fomos isolados pela massa escura de nuvens e não podemos subir nem descer. Esta ergue-se à nossa frente como uma parede impenetrável, tentando esmagar-nos, mas ainda sem o conseguir. Posso apenas gritar e implorar:

 

-- Oh, anel, anel, abre-te e deixa-nos sair

Tua, Anne"

Relato extraído do livro "O Diário de Anne Frank: Versão Definitiva" pela Editora Livros do Brasil, 2015

 

 

Anne Frank e sua família juntamente a um outro grupo de judeus permaneceram escondidos por dois anos em um "Anexo" que ficava "camuflado" atrás de uma prateleira de livros. A ideia do Anexo surgiu de seu pai (Otto Frank), que percebendo a ocupação nazista em Amsterdan e tendo seu visto negado pelos EUA, percebe que a situação dos judeus a partir da ascenção de Hitler estava tomando contornos dramáticos e que toda a sua família poderia ser deportada a qualquer momento para os campos de concentração na Polônia. 

 

 

O sinal vermelho ocorre no momento em que sua filha mais velha (Margot Frank) recebe uma intimação do governo para se apresentar e ser deportada. A partir desse momento, ele não tem mais dúvidas, e toda a sua família foge para o Anexo, porém sem malas, apenas com as roupas do corpo e alguns poucos utensílios indispensáveis, pois não podiam chamar atenção.

 

Anne dedicou boa parte do seu tempo no "Anexo" a escrever um Diário e já naquela época acreditava que seus escritos poderiam ser úteis como relato histórico para o desenvolvimento e conscientização da humanidade. Relato de uma sinceridade excepcional, o diário  explora questões complexas como sua conturbada relação com sua mãe, sua sexualidade latente, seus sentimentos de horror causados pela guerra, a sensação de claustrofobia, a impossibilidade de ter um espaço só seu, o medo da morte e ainda a esperança em um mundo melhor.

 

 

Infelizmente, o Anexo foi descoberto no dia 4 de agosto de 1944, todas as oito pessoas escondidas foram presas e deportadas para campos de concentração. Anne Frank morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen faltando apenas dois meses para o final da guerra na Europa. O único sobrevivente do grupo foi seu pai, que anos depois viria a autorizar a publicação do diário de sua filha.

 

 

 Abaixo mais um trecho do diário, que parece dialogar tanto com o momento presente:

 

"Nesse momento não penso em toda miséria, mas na beleza que ainda resta. O conselho dela (minha mãe) face à melancolia é: pensa em todo o sofrimento que há no mundo e dá graças por não estares a passar por ele. O meu conselho é: Sai para a rua, vai ao campo, aprecia o sol e tudo o que a natureza tem para oferecer. Sai e tenta recapturar a felicidade que EXISTE dentro de TI próprio, pensa em toda a beleza que há em ti e em tudo o que te rodeia, e sê feliz. Se nos tornarmos parte do sofrimento, o que nos resta? Ficaríamos completamente perdidos. Pelo contrário, a BELEZA PERMANECE, mesmo na desgraça!"

 

ANNE FRANK

Relato extraído do livro "O Diário de Anne Frank: Versão Definitiva" pela Editora Livros do Brasil, 2015

 

A Netflix também acaba de lançar o documentário de origem italiana  "Anne Frank – Vidas Paralelas" no qual relaciona a vida de Anne Frank e os relatos do seu diário a outras cinco mulheres que conseguiram  sobreviver ao holocausto.

 

 

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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