2020: o novo normal dos velhos horrores

01.06.2020

 

2020 é indiscutivelmente um ano que ficará marcado na história. Um ano de isolamento, pandemia e de incontáveis mortes. O ponto zero do novo normal, porém, ornamentado de horrores e avanços nada novos.

Quem poderia prever que ao longo de períodos onde a indicação universal, e racional, de ficar em casa para evitar um surto ainda maior de COVID-19 fosse interrompida pela necessidade de se lutar contra velhos crimes? Racismo, fascismo e nazismo ressurgem, sem medo ou moral, como se por obra do mais sádico dos roteiristas clichês.

Certa vez, ouvi dizer que a racionalidade e a boa convivência do ser humano operam até o momento em que o conforto e a segurança coexistem. Talvez a marcha lenta e desacredita que se iniciou ainda em 2013, quando manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus foram fagocitadas pelo nascer  de um patriotismo doente, finalmente encontrou terreno fértil durante a incerta pandemia. 

Como é mesmo aquela sabida frase proclamada pelos estudiosos da história? Conhecer o passado nos ajuda a compreender as peças que formam o presente?

Assim, o medo e a crise caminham de mãos dadas com o totalitarismo. 

Nos Estados Unidos, um nome ressoa: George Floyd. Vítima do histórico racismo americano. O cheiro de fumaça que amanhece dia após dia por entre os quatro cantos do país é o reflexo de um povo cansado de ser assassinado.

No Brasil, alcançamos 30 mil mortes por COVID ao mesmo tempo que vislumbramos o levante de movimentos claramente nazistas em território nacional.

Novidade? Não. 

Eu mesmo já fui vítima de pequenas unidades neo-nazistas nacionais, e isso já faz 12 anos. 

Porém, dessa vez, esse levante é endossado por um presidente que cavalga, literalmente, em frente ao seu exército de imbecis.  Que utiliza símbolos da supremacia branca. Dessa vez, o levante acontece frente a um povo que não se comove com a mimetização de uma manifestação da KKK em meio à praça dos três poderes.

Hoje o dia amanheceu em silêncio. Mas, aos poucos, vejo surgir um pequeno reflexo que cresce gradativamente. Não existe relativização frente ao nazi-fascismo. Não existe relativização frente ao racismo. Existe combate, existe resposta, existe limite. 

2020 é indiscutivelmente um ano que ficará para a história. Cabe a nós escolhermos como isso será escrito.

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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