Um traídor no Shogunato: Macbeth de Kurosawa

13.04.2020

 

Escrito entre 1603 e 1607, Macbeth é uma das mais famosas e mais curtas peças do dramaturgo inglês William Shakespeare.  Inspirada em relatos dos reis Duff e Duncan, das Crônicas da Inglaterra, Escócia e Irlanda, de 1587, o texto teatral trata de Macbeth, parente do rei Duncan da Escócia, que após vencer as forças aliadas da Noruega e ser louvado por sua coragem e bravura, recebe a visita de bruxas que anunciam seu futuro como rei.

 

 Macbeth encenado no National Theatre

 

Ao tratar de destino e regicídio, Macbeth retorna ao tema clássico da incapacidade de se negar o porvir, assunto que permeia outras obras como a canônica Édipo Rei, de Sófocles. Além disso, nos leva a questionar até onde a ganancia e a sede pelo poder pode nos levar a desvio morais e ressignificar nosso próprio caráter.

 

A peça alcançou tamanha importância e fama internacional que foi encenada e filmada por diversos artistas em diferentes épocas, destacando-se as versões de Mario Caserini, Richard Oswald, Orson Welles, Roman PolanskiJustin Kurzel.

 

Um traídor no Shogunato

 

Uma das versões mais interessantes e originais em sua execução é a de Akira Kurosawa, intitulada “Trono Manchado de Sangue” (Kumonosu-jo), filmada em 1956. De forma ambiciosa, a história se transporta para o Japão, mais precisamente ao longo do período Sengoku, época ocorrida após o declínio do shogunato Ashikaga, e de diversas tentativas de golpes de estado pelo país.

 

 O diretor Akira Kurosawa

 

Kurosawa, ao instruir sua atriz principal Isuzu Yamada, que interpreta Lady Asaji Washizu (Lady Macbeth), pediu-lhe que não considerasse a obra como uma versão cinematográfica de um clássico inglês, mas a pensasse como uma obra japonesa.

Tal trabalho de adaptação criou um longa único, com atuações incríveis, principalmente de Yamada e Toshiro Mifune, interprete de Washizu (Macbeth, no original), tendo como base as técnicas estilizadas do teatro Noh.

 

 Yamada e Mifune em cena de Trono Manchado de Sangue

 

Trono Manchado de Sangue se tornou uma das adaptações mais importantes da obra de William Shakespeare, e pode ser assistida, gratuitamente por tempo limitado, no site do Cine Belas Artes à la Carte,

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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