O Tradutor: Cuba, Canadá e Brasil no cinema

20.09.2019

 

Raramente encontramos, atualmente, alguém que não saiba o que foi Chernobil. Que não tenha conhecimento da magnitude do desastre, das vidas perdidas e de todas as consequências causadas por esse vazamento radioativo.

 

Porém, o que muitos não sabem é que uma das gerações mais influenciadas pelo acidente, foi àquela pós-Chernobil, aquela que nasceu com a influência radioativa à sua volta desde o útero. A quantidade de pacientes oncológicos que surgiram após alguns anos do fim do acidente nuclear foi tão grande, que no início dos anos 90 vários deles tiveram de ser enviados para Cuba, um pólo de medicina que auxilaria a União Soviética no tratamento de seus pacientes.

 

E esse é o plano de fundo de “O Tradutor”.

 

O longa, produzido em uma união Cuba-Canadá, e falado em espanhol e russo, conta a história verídica de Malin (Rodrigo Santoro), professor de literatura russa da Universidade de Havana e que, em certo dia, é chamado para se apresentar ao hospital local e servir de tradutor entre médicos e paciente na alá de oncologia infantil vinda de Chernobil.

 

O enredo aborda não apenas as consequências da tragédia que assolou a Rússia no fim dos anos 80, mas, principalmente, a relação humana de comprometimento quando responsável por ajudar em uma causa maior, por mais destrutiva que essa seja para a saúde mental e física do indivíduo.  Fala sobre criação de laços, ressignificação, escolhas e sobre a vida.

 

As ações de Malín demonstram que cuidados não se são apenas com injeções, medicações e descanso, mas com comunicação, pertencimento e afeto.

 

O filme, dirigido por Rodrigo e Sebastián Barriuso (filhos reais de Malín Barriuso, o protagonista do file), foi o escolhido por Cuba para a pré seleção de melhores filmes estrangeiros do Oscar, podendo levar, novamente, um artista brasileiro à pisar os tapetes vermelhos da cerimônia da Academia. Tal possibilidade leva à tona, novamente, a importância de alimentarmos nossa industria cinematográfica, discussão importantíssima em um momento culturalmente tão frágil no Brasil.

 

O Tradutor - Trailer Oficial

 

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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