Han Hsu-Tung - Entrevista Exclusiva

17.05.2019

 Há alguns dias, aqui no Caos Cultural, um post foi publicado sobre a incrível arte do escultor taiwanês Han Hsu-Tung. Suas imagens feitas de madeira parecem mesclar figuras orgânicas com tecnologia digital, em estruturas que se dissolvem em pixels flutuantes.  

Durante minha pesquisa sobre o autor, não encontrei informações em português sobre sua vida, história e motivações, assim sendo, decidi entrar em contato com Han, e pedir para que o próprio artista nos contasse um pouco sobre de si.

 

Prontamente fui atendido, e é com grande felicidade que trago uma entrevista exclusiva com o escultor Han Hsu-Tung, que nos fala sobre como a arte entrou em sua vida, suas técnicas, ideias e expectativas, em um mundo onde o trabalho artístico floresce com tanta dificuldade.

 

Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco sobre sua história. A arte te acompanha desde a infância?

Eu amava desenhar e "fazer coisas" desde criança,  queria ser artista na época. Porém, não frequentei uma Academia de Arte.  “Aprender algo, querer aprender, é mais importante que possuir habilidades técnicas”, era isso que trazia em meu coração quando jovem. Por fim, me graduei em Arqueologia pelo Departamento de Antropologia da Universidade de Taiwan. Após o serviço militar, comecei a fazer esculturas de madeira, aprendendo tudo sozinho. Muitos tópicos da antropologia se tornaram conteúdo de minhas obras de carpintaria, no início de minha carreira.

 O artista Han Hsu-Tung

 

Por quê esculturas? Ela sempre esteve presente em sua vida, ou é algo que você descobriu com o tempo?

Comparada as pinturas, os processos da escultura são mais complicados para mim, o que significa mais interesse. Por outro lado, há sempre muitas ideias flutuando em minha mente. Acho que são pensamentos diferentes dos de outros artistas, pois quero fazê-los reais. Então, não é uma questão de destino, foi minha escolha me tornar um escultor.

 

Quando observamos seu trabalho, percebemos a fusão entre o orgânico e o tecnológico. De onde essa ideia surgiu? O que essa fusão significa para você?

Compor pequenos blocos  em um maior, e depois continuar a esculpi-los é uma tendência na escultura em madeira. Eu não quero trabalhar em um grande e centenário tronco de árvore. Hoje em dia, as pessoas querem tratar a Terra mais gentilmente. Na verdade, muitos artistas dedicaram-se a desenvolver diferentes técnicas para construir suas estruturas, a maneira que escolhi é apenas uma delas. Eu uso centenas ou milhares de cubos no corpo principal da estrutura, e então esculpo homens ou animais. Eu considero esses blocos como unidades, compondo, por fim, algo real. É a mesma coisa com pixels digitais compondo imagens em uma tela de computador. De fato, meu trabalho realmente se parece com falhas de pixels em uma tela, e é exatamente de onde a ideia de minhas obras vem. Tento demonstrar a relação entre as pessoas modernas e a tecnologia digital. Essa “fusão”, de alguma forma, significa que o hábito de usar ferramentas digitais quase se tornou parte dos nossos corpos.

 

Percebo a predominância da madeira como matéria prima de suas obras. É apenas uma escolha técnica, ou também possui um significado artístico?

Não é tão fria quanto o ferro ou o bronze... A madeira é um material orgânico, morno e com diferentes tipos de perfume. Eu gosto muito de trabalhar em um ambiente cheio de fragrâncias. Além disso, eu esculpo diretamente na madeira, com minhas próprias mãos, do começo ao fim. Esculturas feitas de bronze, por exemplo, podem ter dez peças iguais, mas a escultura em madeira é uma peça única no mundo. Isso realmente significa algo para mim.

 

Qual suas expectativas? O que pretende transmitir ao público?

Quando eu era mais jovem, não queria transmitir visões ou respostas pessoais, mas promover temas sociais e culturais através de meu trabalho. Nos últimos anos, a mudança social acontece mais rápida do que nunca, e a escultura clássica em madeira está perdendo sua conexão com a arte moderna. Espero poder oferecer uma nova visão e uma nova forma de escultura.

 

O que você pensa sobre a situação da arte e, principalmente, da escultura nos dias de hoje?

Arte, literatura, filosofia... Infelizmente não são mais importantes como já foram nos bons e velhos tempos. Eu não acho que nós podemos mudar o mundo, mas como artistas podemos tentar fazer a situação não piorar.

 

Para ver mais obras de Han Hsu-Tung, clique AQUI

 

Siga o artista taiwanês

https://www.instagram.com/han_hsu_tung/

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

     POSTS recentes:     
Please reload

© 2016 por O Caos Cultural.