Mannarino: o pop-folk italiano

09.05.2019

 

Nascido em 1979, com atuais 39 anos, em Roma, Alessandro Mannarino, também conhecido apenas como Mananarino, é um músico e compositor italiano, e um dos principais representantes contemporâneos do pop-folk de seu país.


Iniciou sua carreira em 20001, com shows muito originais, em que instrumentos acústicos eram mixados com música eletrônica, e desde então seus trabalhos foram ficando cada vez mais conhecidos, rendendo participações em programas de TV, colaborações com filmes e a gravação de quatro discos: Bar della Rabbia (2009), Supersantos (2011), Al Monte (2014) e Apriti Cielo (2017).


Abaixo, uma tradução livre feita por mim, Luiz Pierotti, para sua canção "Il Pagliaccio", além de outros vídeos de apresentação do trabalho do cantor.

 

"O Palhaço

 

Malabarismo número 1, estou aqui e não conheço nenhum.

Malabarismo número 20, me sobram só quatro dentes.

É grave: sou um palhaço, trabalho com o sorriso, mas é melhor

“uma meia risada verdadeira, que uma dentição toda inteira”...certo, colegas!?

Meu trabalho é perder, faz mal: se alguém cai na rua, certas cenas... “tragam os sais, tragam tabaco, tragam esparadrapos”; se caio eu... nada de esparadrapos, nenhum luto, batem palmas, todos riem, bonitos... E aquele senhor com a corda no pescoço e que diz por aí ser uma gravata. E aquela senhora loirinha, bonita, carregando problemas nas costas e dizendo que é uma mochilinha... Senhorita, você tem quarenta anos, todos sabem que a escola já terminou faz um tempão. Muda a desculpa... muda a desculpa.

Desculpe!

Não posso fazer nada, quando algo dá errado ou se perde, eu solto uma piada.

Sou um palhaço, faço aquilo que faço, não me meto no acordado, mas sou desastrado. Se me vendo é por carpaccio.

Sou um palhaço desde quando peguei uma lagarta nua, um verme da terra nua e o entreguei à contorcionista nua que o pegou, quebrou, torceu e o transformou em... uma borboleta.

A carrego sempre no pescoço, a borboleta, objeto têxtil de minha segurança, disfarce sintomático do palhaço seguro... Quer dizer, tenho certeza! E se fazem um ataque químico, bacteriológico, aerógrafo... E se...Eu tiver uma bola no nariz. E se uma amiga minha, muito boa, muito querida, muito amiga, partir para a última viagem e me venha dar o último adeus, comovida... lhe dou a mão, em choque: “não chore, que dá curto-circuito, ria, ria... deve rir”.

Passa um leão e eu tenho um sapatão.

Passa um passarinho e eu tenho um chapeuzinho: “deixa que eu tenho um chapéu”;

E aquela vez que a contorcionista nua foi, núa, brincar com a tromba do domador de elefantes, me veio à mente vários truques, mas passei direto.

“Só sorrisos, todo o espetáculo sem uma lágrima, sem uma dor... no máximo algumas gotas d'água da flor de plástico que tenho sobre o coração.

Sou insensível? Não não não.

Sou racional? Não não.

Sou imoral? Não.

Meus senhores, eu não posso chorar por questões de segurança nacional.

Que se eu me meto a chorar...

Se eu começo a chorar...

Se eu me meto a chorar...

Inundaria Roma inteira, te levaria de gôndola até a Praça Navona...

Inundaria até o deserto, e a Esfinge nadaria em mar aberto...

Inundaria o Universo, e o céu brilharia submerso...

Inundaria o Paraíso, com meu choro...

E eu sou um palhaço, não Deus."

 

 

Il Pagliaccio (O Palhaço)

 

Arca di Noè

 

Me so'mbriacato

 

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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