Boca do Lixo: O Bandido da Luz Vermelha (1968)

29.04.2019

"Quem tiver de sapato não sobra"

 

 

A Boca

 

Compreendendo o bairro da luz e adjacências, no centro de São Paulo, a chamada Boca do Lixo foi um local muito ligado à cinematografia desde meados dos anos 20 e 30, isso porque empresas como a Paramont, MGM e Fox se instalaram na região, incentivando a industria de equipamentos especializados a migrar para o mesmo local.

 

A grande movimentação da indústria da sétima arte fez com que entre os anos 60 e 80 o cinema independente brasileiro, aquele desvinculado de incentivos governamentais, também se concentrasse no local. Diretores como Carlos Reichenbach, Luiz Castellini, Walter Hugo Khouri, Juan Bajon e José Mojica Marins frequentavam o local, e as filmagens tornavam-se tão frequentes que conta-se ser comum à época avistar carroças carregadas de latas de filmes pela via pública.

 

O cineasta Ozualdo Candeias filmando "Bocadolixocinema" ou "Festa na Boca" em registro de 1976

 

Porém, movimentar a arte independente tem um custo, e esse era o envolvimento de fontes ilegitimas de dinheiro para custear as produções. A Boca do Lixo, que hoje é chamada cracoândia, já se fazia conhecida por ser um local de consumo de drogas, prostituição, pequenos crimes, etc, e era desse submundo que os diretores alimentavam suas produções, mais precisamente com o auxílio do Jogo do Bicho.

 

Eram os bicheiros que contribuíam como produtores, pedindo em troca a adição de cenas que julgavam lucrativas, ou seja, nudez explicita.

 

Os cineastas Carlos Reichenbach e Rogério Sganzerla em foto do início dos anos 1970; imagem pertence ao acervo de Ozualdo Candeias

 

A troca tornava-se cada vez mais imparcial, e aos poucos alguns diretores se viam obrigados a filmarem um longa extra (normalmente um pornochanchada, mas por vezes até mesmo pornos explícitos), como forma de escambo pelo dinheiro investido em suas produções.

 

A prática, aos poucos, matou a industria de cinema local.

 

 

O Bandido da Luz Vermelha

 

Dirigido por Rogério Sganzerla, e lançado em 1968, O Bandido da Luz Vermelha é um filme policial, produzido na Boca do Lixo em plena ditadura militar, que narra a história de um assaltante inspirado no famoso criminoso brasileiro, João Acácio Pereira da Costa, conhecido como Bandido da Luz Vermelha.

 

Cena de "O Bandido da Luz Vermelha" (1968)

 

Ao se utilizar de uma história conhecida, Sganzerla dribla a censura e as vistas desatenciosas, criticando a máquina da mídia, a fabricação artificial de inimigos públicos e o próprio governo militar.

 

Considerado um clássico do cinema marginal, Sganzerla tinha apenas 22 anos na época. Em novembro de 2015 o filme entrou na lista da Associação Brasileira de Críticos de Cinema como um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

 

O Bandido da Luz Vermelha (1968)

 

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

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