• Fernando Henrique

Pequena Fábula de Franz Kafka


Mouse and Cat

Franz Kafka é um desses autores que com perspicácia e uma certa ironia demonstra as diversas inconsistências do mundo contemporâneo e como estamos perdidos dentro dele. Durante diálogos com amigos ele revelou parte da sua visão ao falar que "há esperança suficiente, esperança infinita - mas não para nós".


Kafka foi um funcionário público de Praga com um trabalho extremamente burocrático e com apenas um pequeno círculo social de amigos. Nunca saiu de Praga.


Ele não chegou a vivenciar os horrores de regimes totalitários como nazismo ou comunismo durante e pós-segunda guerra mundial, o crescimento das mega corporações e/ou empresa de capitais, a precarização das condições de trabalho, o terrorismo, o monitoramento contínuo do gorverno de nossas atividades, etc.


Mas mesmo assim Kafka nos presenteou com esse minúsculo texto intitalado "Pequena Fábula", que de pequena não tem nada:


Pequena Fábula - Franz Kafka


"Ah", disse o rato,"o mundo torna-se a cada dia mais estreito. A princípio era tão vasto que me dava medo, eu continuava correndo e me sentia feliz com o fato de que finalmente via à distância, à direita e à esquerda, as paredes, mas essas longas paredes convergem tão depressa uma para a outra, que já estou no último quarto e lá no canto fica a ratoeira para a qual eu corro." ? "Você só precisa mudar de direção", disse o gato e devorou-o.


RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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