Realismo Regionalista de Almeida Junior

21.07.2018

 

Aclamado como precursor da temática regionalista, conferindo destaque a personagens simples e anônimos, assim como a fidedignidade de seu retrato da cultura caipira, José Ferraz de Almeida Junior foi um pintor e desenhista brasileiro nascido em Itu, em 8 de maio de 1850.

 

Tornou-se célebre ainda em vida por ser o pintor que melhor assimilou o legado Realista de Gustave Courbet e de Jean-François Millet, uniodo-os a ideia dos salons parisienses, estabelecendo uma ponte entre o verismo intimista e a rigidez formal academicista.

 

Durante sua juventude o primeiro incentivador ao seu trabalho artístico foi o padre Miguel Correa Pacheco, quando o pintor ainda trabalhava como sineirio da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Cadelária, para quem o garoto produzira algumas obras sacras. O padre organizou, então, uma coleta de fundos que possibilitou o jovem Almeida Junior, então com 19 anos, a embarcar para o Rio de Janeiro, onde pode completar seus estudos. Em 1869, o pintor encontrava-se inscrito na Academia Imperial de Belas Artes, tendo aulas com Jules Le Chevret, Victor Meirelles e Pedro Américo.

 Almeida Junior

 

Diversas crônicas relatam que o jeito simplório e linguajar interiorano causavam espanto nos Membros da Academia:

 

“Era o mais autêntico e genuíno representante do tradicional tipo paulista. Mas sem nenhum traquejo de homem de cidade. Falava como os primitivos provincianos e tal qual estes vestia-se, andava, retraía-se. Mas isso não impediria que fizesse um curso brilhantíssimo, durante o qual recebeu diversas premiações em desenho figurado, pintura histórica e modelo vivo, inclusive, em 1874, a grande medalha de ouro com o quadro Ressurreição do Senhor.

 

Após o fim de seus estudos, optou por não concorres a um prêmio de viagem à Europa, retornando para Itu onde trabalhou como retratista e professor.

 

Anos depois, porém, em 1876, durante uma viagem ao interior paulista, o imperador D. Pedro II, impressionado com o trabalho de Almeida Junior, ofereceu um custeio ao artista para que este pudesse viajar a Europa, podendo assim aprimorar seu trabalho. Abriu-se, assim, um crédito de 300 francos mensais para que o pintor se mantivesse e estudasse em París.

 Moça com Livro

 

Matriculou-se na École National Supérieure des Beaux Arts, tornando-se aluno de Alexandre Cabanet e Lequien Fils, e notabilizando-se pelos desenhos anatomicos e de ornamento.

 

Almeida Júnior participou de quatro edições do Salon de Paris, entre 1879 e 1882. É desse período que datam algumas de suas maiores obras-primas, como O Derrubador Brasileiro e Remorso de Judas (Salon de 1880)A Fuga para o Egito (Salon de 1881)O Descanso do Modelo (Salon de 1882).

 

Ao retornar para o Brasil, em 1882, realizou sua primeira mostra individual na Academia Imperial de Belas Artes, e no ano seguinte abriu seu Ateliè na rua Gloria, em São Paulo, por meio do qual contribuiria para a formação de novas gerações de pintores.

 

Em 1884 realizou uma nova exposição de suas obras do período parisiense na 26 Exposição Geral de Belas Artes da Academia Imperial de Belas Artes, última e mais importante exposição realizada no período imperial.

 

"Almeida Júnior é o mais pessoal e, sem dúvida, um dos que melhor sabem expressar, com toda clareza e nitidez de um estilo à Breton, os assuntos tomados de improviso a uma página da Bíblia, da História, ou simplesmente da vida de todos os dias e de todos os homens."

Duque Estrada, Crítico Literário.

 

 

No mesmo ano, Almeida Junior recebeu o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa, concedido pelo governo imperial.

 

Em seu último período, o artista substitui seus temas sacros pela temática regionalista, aquela que lhe granjearia a posição de precursor do Realismona história da arte brasileira. Seu desejo pela aproximação com o cotidiano do homem interiorano se mostra em pinturas como Caipira Picando Fumo (1893), Amolação Interrompida (1894) e O Violeiro (1899), distanciando-se do generalismo academico e aproximando-se da abordagem pictórica naturalista. A Partida da Monção (1894) lhe concede a medalha de ouro da Academia, em exposição no Salão de 1898.

 Descanso do Modelo

 

Almeida Junior morreu precocemente, aos 49 anos, em 13 de nomebro de 1899, apunhalado em frente ao Hotel Central de Piracicaba, por José de Almeida Sampaio, seu primo e marido de Maria Laura do Amaral Gurgel, com quem o pintor manteve um romance secreto por anos.

 

O artista é considerado um dos mais importantes “pintores do nacional” brasileiro, por retratar em muitas obras o caipira paulista. Aproxima-se do pintor francês Gustave Courbet pela forma como distancia-se das alegorias romanticas e do ufanismo nacionalista.

 

Atualmente, quase 120 anos após a morte do artista, o Dia do Artista Plástico brasileiro é comemorado em 8 de maio, data de nascimento de Almeida Junior.

 

Galeria de imagens do autor:

 

 

 

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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