200 anos de Marx: Uma Reflexão Tupiniquim

07.05.2018

 

No dia 5 de maio de 2018 o filósofo alemão Karl Marx completa seu duzentéssimo aniversário, e muito mais do que recordar esse pensador, é importante olhar para a atualidade e, em contraste com a obra do autor, pensarmos como nos encontramos hodiernamente.

 

Após de dois séculos o socialismo parece ter ganhado força, novamente, nas bocas da grande massa brasileira, seja por um discurso positivo ou negativo. Porém, é cômico perceber que esse renacimento do termo tenha renascido pela boca da direita, como platagorma de votação.

 

Estranho, mas não inexplicavel.

 

Em 2017 o Brasil alcançou um marco intrigante: 5 mil novos milionários em torritório brasileiro surgiram no período de apenas um ano.

 

Estamos falando do surgimento de gigantescos acumuladores de lucro num país onde, no mesmo ano, ainda tinhamos 11,8 milhões de analfabetos. Em um país onde 13 milhões passam fome, onde os direitos humanos são desvalidados enquanto o nível de pobreza humana aumentou 11% no último ano.

 

É em meio a tamanha desigualdade que o violento e inflamado discurso contra a esquerda retorna, apesar de parecer muito improvável, em números, que estejamos à beira de uma “ditadura do proletariádo”. O discurso, na verdade, remedia um problema, cria um inimigo em comum impossibilitando a união popular, ao mesmo tempo que traz a ilusão da ascensão social, instigando a ganancisa e separando as uvas do cacho.

 Operários, por Tarsila do Amaral

 

A elite brasileira é inteligente, e conta com “súditos” burros o suficiente.

 

Acontece também que ideais muito tempo impregnadas na sociedade permanecem vivos sob a casca do tempo, e em contato com qualquer disturbio exterior, rompem, apresentando-se de maneira crua e pouco tímida. Nunca fomos um país livremente miscigenado, nunca fomos unidos nem adeptos de políticas humanitárias.

 

O Brasil do eugenismo mostra sua cara, o Brasil da elite, da escravidão mais duradouro e mais intensa da história, do segundo maior partido nazista não-alemão do mundo, um país que naturalizou a tortura, que mata 1 LGBT a cada 25 horas, que extermina suas mulheres e que se delicia com a morte de um favelado, mas que grita “ordem e progresso”, escondendo seu sadismo atrás de um largo sorriso que clama por Deus, pela nação e pela família.

 

Em 1818 nascia Karl Marx, duzentos anos depois o capitalismo mundial parece ter se tornado uma entidade muito maior e mais forte do queimaginaria o filósofo alemão. A luta contra o patrão torna-se quase impossível, pois ele já não pode ser visto. Já não pode ser tocado. Dois séculos e a figura do “comunista” retorna como uma fantasia da classe média. Uma fantasia quase física, que cobre qualquer ato não desejado, qualquer opinião divergente, qualquer obstáculo de seu egoista pensamento empreendedor. A luta contra o comunismo é, de novo, a desculpa perfeita para a manutenção de poder, e todo o exército de degenerados que almeja escalar a pirâmide social por cima dos dos corpos derrubados pelo caminho não percebe que os corpos, na verdade, são engolidos pela própria pirâmide, que se torna cada vez mais alta e inacessível.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

     POSTS recentes:     
Please reload

© 2016 por O Caos Cultural.