• O Caos Cultural

Os Partisans e a Música de Resistência


Em 1940, logo após o armistício francês de 22 de Junho, surgia uma força rebelde, um movimento que prosseguiu o combate contra o Eixo nazista e seus delegados colaboracionistas, era esta a Resistência Francesa.

Também conhecida como “Les Partisans” (Os Partidários), fora representada por todas as camadas sociais, políticas, filosóficas e religiosas. Judeus, democratas cristãos, socialistas, comunistas. Eram universitários, jornalistas, engenheiros, militares, cidadãos de classe média e alta, artesãos e operários, todos unidos contra as forças nazistas que marchavam sobre a França.

Estima-se que a Resistência Francesa tenha iniciado com um agrupamento de 200.000 mil pessoas, chegando a marca dos 500.000 ao longo do anos, visto que os interesses em comum dos tantos pequenos focos de rebeldes dispersos os unia, pondo fim à partidos e sindicatos, com a formação de um agrupamento único, sendo os principais motivadores da ação a reação nacional contra a ocupação estrangeira e de luta pela independência nacional, sendo a principal motivação para a maioria dos resistentes, e a luta política e moral contra o nazismo, contra a ditadura, contra o racismo e a deportação.

A bandeira da resistência

Apesar dos números, a resistência necessitava do auxílio das forças aliadas para ultrapassar as atividades clandestinas e o combate de guerrilha, alcançando seus objetivos em 1944. com a Liberação sistemática da França de acordo conforme o avanço das tropas aliadas.

Simone Segouin, partisan que aos 18 anos capturou 25 nazistas.

25 anos depois, em 1969, o grito de resistência soava novamente, dessa vez pela voz do músico judeu franco-canadense Leonard Cohen. A canção pertencente ao álbum Songs from a Room e intitulada “The Partisans” narra as ações de um partisan que, após ter a esposa e os filhos mortos, pega em armas para expulsar a ameaça nazista de sua nação. Sua força se dá além da vingança pelo homicídio de sua família, se dá pela proximidade dos amigos que estão ao seu lado, se dá pelo pertencimento nacional.

“J'ai changé cent fois de nom "Eu mudei de nome cem vezes

J'ai perdu femme et enfants Eu perdi mulher e filhos

Mais j'ai tant d'amis Mas eu tenho muitos amigos

Et j'ai la France entière” E eu tenho a França inteira"

Leonard Cohen - The Partisans (Legendado)

É notável a presença de elementos próprios do pensamento combativo francês datados da revolução francesa: a liberdade, a igualdade e a fraternidade. A união de diversas classes, a fraternidade nacional e a luta pela liberdade contra o sítio alemão foram as bases fundamentais para a formação, união e sucesso da revolução.

Todavia, a música é erroneamente creditada ao poeta canadense, sendo sua versão original chamada “La Complainte du Partisan”, poema escrito durante a ocupação nazista por um soldado da FFF (Free French Forces” chamado Emmanuel D'Astier de la Vigerie, e musicado, posteriormente, por Anna Marly.

Homens da Resistência

“La Complainte du Partisan” e “Chant des Partisans”, outra canção datada da época, são consideradas representações históricas da luta partisan contra a dominação estrangeira e nos fazem repensar as ações de guerrilha de nosso tempo. É expressão comum que a história é contada pelos vencedores, e que nossa absorção do passado se dá pelas vozes daqueles que se sobressaíram, mas e nas batalhas atuais?

Congo, Síria. Egito, Ucrânia, Nigéria, Líbia, Iêmen, Palestina. Quem são os homens e mulheres, pais ou filhos, oficiais ou anônimos, quem são os partisans dos tempos modernos? Enxergamos a resistência, atualmente? Conhecemos, de fato, os conflitos de nosso tempo? Somos justos em nossos julgamentos? Se a história é relatada pelos vencedores, talvez nunca tenhamos a certeza de nossas convicções.

#ARTANDRESISTANCE

Ouça as músicas da resistência francesa:

Os Partisans (Tradução Livre)

Os alemães estavam na minha casa Me disseram "Renda-se" Mas isso eu não pude E peguei minha arma Ninguém me perguntou De onde eu venho e para onde vou Você que sabe disso Apague minha passagem Eu mudei o nome cem vezes Eu perdi esposa e filhos Mas eu tenho muitos amigos E eu tenho toda a França Um velho, em um sótão Pela noite nós nos escondemos Os alemães o levaram Ele morreu sem surpresa Ontem novamente, nós éramos três Agora s´[o resta a mim E eu vou andando em círculos Na prisão da fronteira O vento sopra nas sepulturas Liberdade retornará Eles nos esqueceram Nós retornaremos para as sombras

A Canção dos Partisans (Tradução Livre)

Amigo, você ouve o vôo negro dos corvos sobre as nossas planícies? Amigo, você ouve os gritos do país que liga surdo? Hey, apoiadores, operários e camponeses é o alarme. Naquela noite, o inimigo saber o preço de sangue e lágrimas.

Vá até a mina, descendo colinas, camaradas! Deixe armas a palha, balas, granadas. Hey, a bater a bola e uma faca, matar rápido! Hey, sabotador, a atenção para a sua carga: dinamite ...

Nós é que quebrar as barras das prisões para os nossos irmãos. Ódio em nossos calcanhares e da fome que nos move, a miséria. Há países onde as pessoas estão no fundo da cama dos sonhos. Aqui, você vê, estamos caminhando e matam-nos, estamos morrendo ...

Aqui todo mundo sabe o que quer, o que ele faz quando ele vai. Amigo, se você receber um amigo para fora das sombras em seu lugar. Amanhã sangue negro irá secar ao sol nas estradas. Sing, companheiros na noite da Liberdade escuta ...

Amigo, você ouve os gritos do país que liga surdo? Amigo, você ouve o vôo negro dos corvos sobre as nossas planícies?

RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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