48. por Dalton Trevisan

20.02.2018

 

Conhecido por seus livros de conto, especialmente por "o Vampiro de Curitiba, Dalton Jérson Trevisan (Curitiba, 14 de junho de 1925) é um escritor brasileiro vencedor do Prêmio Camões e do Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra, ambos em 2012.

 

Abaixo, leitura do conto "48" presente no livro 111 ais, do autor.

 

 

Leitura: Luiz Pierotti

Produção: 3Cats Studio

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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