Estupidez: o espírito de uma Era

20.01.2018

 

Terra plana. Luta contra a vacina. Horóscopo. Pós-verdade.


Certa vez, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco afirmou que as redes sociais deram vóz a uma legião de imbecis, todavia proporções parecem aumentar e as palavras de Eco surgem como sintomas de uma doença ainda maior.


Fomos infectados pelo vírus da "opinião própria", das convicções esquizofrênicas, do respeito pela imaterialidade. Fomentamos a era das aparências, da expressão irrestrita, e junto dela alimentamos a falácia do livre expressão.


A antes tão compreensível frase "respeite minha opnião" torna-se, agora, um reflexo deturpado da realidade individual do locutor, mesmo que essa seja contrária ao que experimentamos como verocímel. Fomos tomados pelo solepsismo. Não há o "real" nessas condições, não há verdades ou indivíduos terceiros, tudo provém do reflexo de minha percepção. Meu contato com o mundo gera minha realidade que, por sua vez, modela minhas ideias. Monta-se, assim, um cíclo moto-continuo.


Pesquisas são ignoradas, provas renegadas, o empirísmo esquecido, nada pode ir contra minha percepção. A indubtibilidade de minha crença não pode ser desvalidade, pois sou mimado e consagro meu conforto.


Como dito acima, não se trata de uma condição germinada pelas redes sociais, pelas autopublicações ou afins, estes são terrenos férteis para esta sombra que parece pairar sobre nós, cegando todo o bom senso. Estamos cercados de imbecis pois a estupidez dá base à nossa sociedade. 


Este é nosso Zeitgeist. Este é o espírito de nosso tempo, o espirito da ignorância.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

     POSTS recentes:     
Please reload

© 2016 por O Caos Cultural.