A Arte Inovadora de Akira Kurosawa

05.12.2017

 

Nascido em 23 de março de 1910, em Tóquio, Akira Kurosawa, o oitavo e último filho de uma família de classe média, foi um dos cineastas mais importantes do Japão e do mundo, tendo influenciado uma grande geração de diretores após uma carreira de 50 anos e mais de 30 filmes dirigidos. 


Estudante de Artes Plásticas, seu gosto por cinema teve fundamental influência de Heigo, irmão mais velho que atuava como narrador de filmes mudos, porém, com o advento do cinema sonoro, ficou desempregado e terminou por se suicidar.
Akira iniciou-se profissionalmente no cinema em 1935, aos 25 anos, e três anos depois se tornou assistente de direção.


Sua estréia como diretor ocorreu 8 anos depois, com o título "A Saga do Judô", considerado pela censura fascista como um filme demasiadamente "britanico-americano". Para sua exibição, o filme teve de ser cortado em 18 minutos, e tal minutagem jamais foi reencontrada.


Em 1945 , após ser forçado a dirigir um filme de propaganda do gorverno, Kurosawa teve novos problemas com a censura. Iniciou a direção de um filme que, em seu início, era tido pela crítica como "americano demais", porem, após sua finalização, o Japão já estava rendido à ocupação americana e o mesmo filme foi censurado por ser "japonês demais".

 

 
Com o fim da guerra sua produção se tornou ainda mais intensa.  Títulos como "Trono Manchado de Sangue" e "Cão Danado" foram lançandos, sendo o segundo um de seus mais célebres longas do período, retradando a recuperação do país no pós-guerra.


Em 1950  o diretor recebe o Leão de Ouro, maior prêmio do Festival de Veneza, pela direção de "Rashmon", que inovava nos padrões de narrativa da época, e a partir daí seus filmes passam a ser distribuídos no EUA e seu nome torna-se conhecido no mundo todo. Kurosawa volta ao estúdio e trabalha em mais 11 obras. Suas produções tornam-se mais populares e melhor financiadas.

 

 

 Sua obra de maior sucesso nos EUA, "Yojimbo - O Guarda" é lançada no início dos anos 60, abrindo caminho para que o diretor fosse para Hollywood em 1966, onde dirigiu seu primeiro filme em cores, "Expresso para o Inferno". Foi aí que iniciou-se os trabalhos de seu projeto mais ambicioso, em parceria com a Fox, produziriam um longa que retrataria os ataques à Pearl Harbour, com a narrativa do ponto de vista americano e japonês. Porém, Kurosawa havia escrito um roteiro de 4 horas, enquanto a produtora desejava um longa de apenas 90 minutos, fazendo com que o diretor desistisse da empreitada e o filme fosse concluído pelos diretores Kinji Fukasaku e Toshio Matsuda. O Filme: "Tora! Tora! Tora!".


A situação lançou Akira em uma crise criativa e emocional, que resultaria em uma tentativa de suicídio nos anos 70.


Akira Kurosawa foi um mestre em suas composições, pela criatividade e inovação com que trabalhava, seja inspirado pelas artes plásticas, pela litetatura, ou criando cenas de ação revolucionárias. Foi um dos criadores da transição "wipe", depois popularizada na trilogia Star Wars,  e introdutor da temática chambara no cinema, sendo este um gênero que obedece à códigos muito precisos na composição das intrigas, dos personagens e da forma, originado do teatro tradicional kabuki. 

 O teatro Kabuki


Kurosawa nunca se aposentou, tendo vivido ainda bons momentos profissionais, até o lançamento de seu último filme, "Mandadayo", de 1993. 


Akira Kurosawa faleceu de derrame, aos 88 anos, em 6 de setembro de 1998.


Após sua morte, mais alguns filmes de sua autoria foram lançadados como obras póstumas, é o caso de "Ame Agaru" e "The Sea is Watching".

 

Assista, abaixo, o trailer de seu filme "Sonhos" (1990), e uma entrevista concedida à TV japonesa:

 

Sonhos (1990)

 

Entrevista (em inglês)

 

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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