A Invasão Artística de Lucas Levitan

22.11.2017

 

Lucas Levitan é brasileiro, natural de Porto Alegre, mas já vive há 12 anos na Europa. Abriu mão de velhas amarras e se lançou de cabeça em projetos artísticos pessoais após uma epifania. Dê uma produção intensa e criatividade impactante, hoje nos concede uma pequena entrevista, explicando um pouco da origem de seu trabalho, dos caminhos de sua arte e da vida de artísta na atualidade.

 

1. Primeiramente, gostaria de saber de onde vem seu contato com a arte. É algo que já te acompanha desde novo? Houveram influencias?
Acho que nasci com um lápis na mão.


Eu não tive escapatória. Meu pai é músico, arquiteto, cartunista; minha mãe uma fotógrafa tem olhar muito sensível e é uma grande artista. Além disso passei muito tempo na casa dos meus avós onde construíram um mini mundo feito de castelos, faroeste, moinhos e barcos.


Mais tarde comecei a faculdade de Artes Plásticas na UFRGS mas não terminei. E freqüentei o Instituto Torreão por 10 anos. Esse lugar foi muito importante na minha formação. Os responsáveis eram os artistas Jaílton Moreira e Elida Tessler. Ambos tiveram grande influência na minha formação artística.

 

 
2. Em seu site você se descreve como ilustrador, pintor, diretor de arte, cineasta, dentre outras coisas. Como tantos talentos se organizam? Surgiram de maneira orgânica ou se fizeram necessários para alcançar algum padrão de arte pretendido?

Minha trajetória profissional foi em ziguezague. Não segui um caminho linear e nunca me identifiquei com uma carreira apenas. Nunca me importei em ser rotulado, pois tenho vários. Tem dias que sou filmmaker, outros, artista plástico, já fui designer, e no momento estou ilustrador.
Cursei artes e publicidade. Fui sócio da República das Idéias, empresa de Design. Após alguns anos decidi fazer um mestrado em artes e design em Londres. Pretendia ficar 2 anos na Europa e já estou há 12 anos. Nesse tempo comecei a trabalhar em publicidade, além de projetos de filmes, documentários e ilustração.
Gosto de ter um dedo em cada pote, e como tenho dez dedos tento aproveitá-los ao máximo.

Não há nenhuma organização na forma que planejei minhas práticas. Sempre tentei escutar meus interesses em cada momento da vida. Houveram momentos aos quais questionava se o certo não seria optar por um caminho apenas, mas aceitei que minha cabeça funciona melhor quando há uma variedade grande de estímulos e liberdade de escolha.
Também acho que as diversas disciplinas se alimentam mutuamente, ajudando assim, a uma compreensão mais holística do meu processo de criação artística.

 

3. Seu trabalho é carregado de uma atmosfera lúdica, nos atingindo, primeiramente, com uma onda de bom humor e após esse primeiro contato, nos fazendo encarar toda uma segunda camada por vezes mais questionadora, por vezes de um admirável estranhamento. Como se dá esse processo de criação?

Me divirto fazendo. Viajo por contas de Instagram buscando minhas vitimas e espero que alguma imagem me inspire. Eu não escolho as fotos, elas que se fazem ver. Acho que a surpresa de ser invadido é melhor que a expectativa de imaginar o que eu faria com a foto enviada. Gosto da liberdade de criação. Algumas fotos pedem uma ‘invasão’ poética, outras com humor mais escrachado. Há momentos que sinto que devo falar sobre algo que me perturba e expressar uma opinião. Outros momentos acho o silêncio a melhor resposta.


Vivemos em um momento que é muito fácil expressar opiniões. As pessoas usam as midias sociais de maneira irresponsável. E também consumimos tais informações de forma irracional e sem análise. Esse modo superficial de troca de informações e o fácil acesso a tudo que se produz, me cria, muitas vezes ansiedade e desilusão.


E isso pode transparecer na minha criação. Faz alguns meses que estou menos ativo. Estou lendo mais e estudando alguns próximos projetos. Nessa fase estou mais analítico e contemplativo. Espero que isso reflita em meu trabalho.


4. Dentre seus trabalhos há uma série, em especial, muito chamativa pela criatividade apresentada, as Photo Invasions. Como surgiu a ideia?

Faz já 3 anos, enquanto caminhava por uma rua em Londres, um tijolo caiu do quarto andar de uma construção. Espatifou-se no chão, a 10 centímetros da minha cabeça. Naquele momento percebi que não poderia esperar. Tinha que fazer o que me fazia feliz, meus projetos pessoais. Dei meia volta e pedi demissão da agência que trabalhava. Muitas vezes precisamos de avisos externos para entender o que passa dentro de nós mesmos.


O projeto Photo Invasion surgiu desta epifania, em uma época que estava fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, acho que estava correndo atras do tempo, editava um documentário, escrevia histórias em quadrinhos e fotografava sem parar.
Photo Invasion junta 2 dessas paixões, ilustração e fotografia. Comecei fazendo ‘invasões’ em minhas próprias fotos, mas vi que interagir com fotografias de outros fazia mais sentido. Encontrar uma historia escondida atras de fotos alheias era mais divertido.


5. Lucas, você é natural de Porto Alegre, mas hoje vive em Londres. Essa mudança teve como motivo o seu trabalho como artista? Qual as diferenças vividas, por quem trabalha com a arte, nesses dois países?

Sempre pensei em viver no exterior. Mais por curiosidade. Acho que somos nômades por natureza. Meus avós são imigrantes da lituania e Ukrania. Meus pais viveram 2 anos na Inglaterra quando eu tinha 2 anos de idade e as fotos daquela época sempre me acompanharam. Eu tinha 27 anos quando decidi estudar um Master em Londres e por lá fiquei 11 anos. Me apaixonei por uma Espanhola e agora vivo em Madri.

O Brasil é muito criativo e a arte permeia muitas disciplinas. No Brasil há milhares de artistas plásticos, músicos, escritores, porém na inglaterra a arte é mais institucionalizada. O artista pode ser profissional com maior facilidade, há um mercado mais maduro e muito mais galerias. O consumo de arte é mais frequente; pessoas compram trabalhos de arte, têm o hábito de ir a exposições e apoiam a cena artística. No Brasil parece que ser artista é apenas para corajosos. É comum escutar pessoas perguntando para um artista como ele ganha a vida, como se isso fosse impossível e essa falta de cultura de apoio à arte faz com que menos pessoas se dediquem à profissão.

 


6. Para finalizar, vivemos um momento de muito conservadorismo e retrocesso no Brasil, e um dos tantos alvos desse movimento é a arte. Qual sua visão sobre esse movimento? Ainda vale a pena produzir arte em terras tupiniquins.

A arte sempre será alvo de críticas enquanto tiver a função de mexer com o convencional e o status quo. A arte que não gere debate e muitas vezes indignação é porque não estimulou a massa a pensar.


Concordo que estamos passando por um momento estanho no Brasil. E isso me assusta. Não acho que seja apenas aí, a Europa passa por um momento que se vê movimentos separatistas e reacionários emergindo também. Devemos estar constantemente nos perguntando o porquê dessas respostas não retrógradas. Eu acho que os movimentos de socialistas de esquerda aos quais me identifiquei toda minha vida estão velhos e antiquados. Vejo discursos ultrapassados com heróis ultrapassados e bandeira carcomidas ainda sendo hasteadas como se essa fosse a única forma de lutar.


Os que melhor traduzem o que anda acontecendo no Brasil são os artistas e claro, Bob Fernandes e Eliane Brum.
Enquanto a massa se divide, as grandes corporações seguem crescendo e arraigando seus tentáculos em governos fracos ou corruptos. Quanto mais certeza vejo em discussões entre esquerdistas e direitistas menos esperança me resta. Duvidar, pra mim, ainda é o melhor remédio.

 

Você pode acompanhar o trabalho de Lucas Levitan pelas seguintes redes sociais:

Instagram: www.instagram.com/lucaslevitan

twitter: https://twitter.com/lucaslevitan

Facebook: https://www.facebook.com/lucaslevitan

Tumbler http://photoinvasion.tumblr.com/

Site: www.lucaslevitan.com

 

Veja, abaixo, alguns dos trabalhos do artista:

 

 

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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