Matsuo Basho: A Vida e os Haikus

11.10.2017

 

Haiku (俳句) é uma espécie de poema japonês de forma curta e caracerizada por trêz aspectos: o corte (kiru), representado pela justaposição de duas imagens ou ideias e um “kireji"; (palavra que corta) que as separa; construção realizada com 17 on (unidade fonológica), em três fases, 5, 7 e 5 on, respectivamente; um "kigo” (referência sazonal).

 

Tradicionalmente impressos em uma linha vertical única, o haiku japonês possuiu uma tradição relativamente recente, em que as imagens devem ser objetos ou ocorrências diretamente observadas no dia a dia.

 

Matsuo Basho (Tóquio 1644 – Osaka, 1694) foi o poeta mais famoso do período Edo, no Japão, sendo um dos precursores  do Hokku, verso de abertura do Haiku, tendo promovido em sua escola uma antologia de Hokkus, e dando origem ao que conhecemos hoje como o Haiku.

 

 

Basho fora introduzido ao mundo da poesia ainda muito jovem, ao se juntar à cena intelectual de Edo. Trabalhou como professor, tendo posteriormente desistido da vida urbana e social, vagando por todo o Japão. Suas viagens e contato direto com o mundo à sua volta foram os principais influenciadores de seus escritos e haikus.

 

É possível que a decisão de se tornar um andarilho tenha sido motivada pela morte de Yoshitada, de quem Basho era pajem, o que impossibilitava que o poeta pudesse vir a se tornar um samurai, assim como seu pai teria sido no passado. Tornar-se um poeta em período integral fora uma decisão difícil, talvez pelo baixo status social relacionado ao fazer do haiku no renga, como lembra o próprio autor: "as alternativas digladiavam-se em minha mente e fizeram minha vida agitada".

 

Porém, Basho continuou a criar suas obras, e elas a serem publicadas em antologias que logo foram reconhecidas pelos círculos da moda literária de Nihombashi,  famosas pelo estilo simples e natural. Apesar da homenagem recebida, o poeta ironiza o Shogun com o seguinte Hokku:

 

kabitan mo / tsukubawasekeri / kimi ga haru

Os holandeses, também, / se ajoelham antes de Sua Senhoria, / mola sob seu reinado. [1678]

 

 

Foi em 1674 que Basho fora introduzido nos círculos mais íntimos da profissão Haikai. Autodenominou-se Haigo de Tosei, tornando-se mestre, em tempo integral, de vinte discípulos que, posteriormente, publicaram Os Melhores Poemas Dos Vintes Discipulos de Tolsei. Supreendentemente, foi nessa época que Basho decide, novamente, por uma vida mais reclusa, tendo uma casa construída por seus discípulos, onde pode morar permanentemente. No quintal de sua cabana crescera uma bananeira junto a um miscanto, planta nativa de Fukagawa, situação exposta em poesia:

 

bashō uete / mazu nikumu ogi no / futaba kana

pela minha nova bananeira / o primeiro sinal de algo que eu detesto-/ um broto de miscanto! (1680)

 

Apesar de todo o sucesso, Basho mantinha-se insatisfeito e solitário, o que o levou a praticar meditação zen budista, mas não obteve mudanças. Nos anos que se seguiram a 1684, diversas situações o levaram a iniciar sua primeira grande peregrinação, como a morte de sua mãe e o incêndio de sua casa.

 

É dessa época, 1685, seu Haiku mais célebre, "No Antigo Lago”, e seu livro mais famoso, "Sendas de Oku".

 

Em 28 de novembro de 1684, durante uma viagem, Basho adoece em Odsaka, vindo a falecer.

 

"Doente em viagem

sonho em secos campos

Ir-me enveredar"

 

 

Alguns poemas do livro "O Eremita Viajante"

 

p. 86a vida demora tanto

como um aguaceiro de inverno

diz Sôgi

 

p. 88

polvilho os meus ouvidos

com incenso

e assim ouço melhor o cuco

 

p. 145

 

quero contemplar uma flor

à primeira luz do dia

para ver a face de um deus

 

p. 218

o coração viajante não se enraíza

antes quer ser

braseira ambulante

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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