Arthur Rimbaud: Je est un Autre

26.09.2017

 

 

Cidade (tradução)

 

Sou um efêmero e não muito descontente cidadão de uma metrópole que se supõe moderna porque todo gosto conhecido foi subtraído tanto dos mobiliários e do exterior das casas quanto do traçado da cidade. Aqui não poderíeis assinalar os vestígios de nenhum monumento de superstição. A moral e a língua estão reduzidas à sua mais simples expressão, enfim! Estes milhões de pessoas que não têm necessidade de se conhecer sobrelevam de maneira tão semelhante a educação, a profissão e a velhice, que a duração da vida deve ser varias vezes menos longa daquela que uma estatística insana encontra para os povos do continente. Assim como, de minha janela, vejo espectros novos circulando através da espessa e eterna fumaça de carvão, — nossa sombra dos bosques, nossa noite de verão! — Erínias novas, diante da choupana que é minha pátria e todo meu coração, pois tudo aqui se assemelha a isto, — a Morte sem prantos, nossa ativa filha e serva, um Amor desesperado, e um belo Crime choramingando na lama da rua.

 

 

Ville (original)

 

Je suis un éphémère et point trop mécontent citoyen d'une métropole crue moderne parce que tout goût connu a été éludé dans les ameublements et l'extérieur des maisons aussi bien que dans le plan de la ville. Ici vous ne signaleriez les traces d'aucun monument de superstition. La morale et la langue sont réduites à leur plus simple expression, enfin ! Ces millions de gens qui n'ont pas besoin de se connaître amènent si pareillement l'éducation, le métier et la vieillesse, que ce cours de vie doit être plusieurs fois moins long que ce qu'une statistique folle trouve pour les peuples du continent. Aussi comme, de ma fenêtre, je vois des spectres nouveaux roulant à travers l'épaisse et éternelle fumée de charbon, - notre ombre des bois, notre nuit d'été ! - des Erinnyes nouvelles, devant mon cottage qui est ma patrie et tout mon cœur puisque tout ici ressemble à ceci, - la Mort sans pleurs, notre active fille et servante, et un Amour désespéré, et un joli Crime piaulant dans la boue de la rue.

 

Arthur Rimbaud, 1875

 

Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (Charleville, 20 de outubro de 1854 — Marselha, 10 de novembro de 1891) foi um poeta simbolista francês.  Produziu suas obras mais famosas quando ainda era adolescente, tendo aos 15 anos já alguns prêmios e até composições em latim, sendo descrito por Paul James, à época, como "um jovem Shakespeare", era um estudante brilhante, apesar de inquieto. 

 

 Rimbaud caricaturado por Paul Verlaine

 

Como parte do movimento decadente, Rimbaud influenciou a literatura, a música e a arte modernas. Era conhecido por sua fama de libertino e por uma alma inquieta, viajando de forma intensiva por três continentes antes de morrer de câncer aos 37 anos de idade.

 

Arthur Rimbaud fora influenciado por artistas como Victor Hugo, Charles Baudelaire, Paul Verlaine e Walt Whitman, e influenciou, por sua vez, alguns nomes importantes como Pablo Picasso, Allen Ginsberg, Nabokov, Henry Miller, Bob Dyçan e Patti Smith.

 

Esquina de mesa por Henri Fantin Latour

Sentados, da esquerda para a direita: Paul Verlaine, Arthur Rimbaud, Léon Valade, Ernest d'Hervilly, e Camille Pelletan.

De pé, da esquerda para a direita: Elzéar B. Elzéar, Émile Blémont e Jean Aicard

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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