Plenitude, a Cocanha Moderna

09.09.2017

Trabalhe com o que ama. Encontre um lar confortável. Aprenda com seu corpo. Viaje. Abrace o sexo como uma prática saudável. Compartilhe seus problemas. Seja esforçado. Alcance seus sonhos!

 

 


Vivemos o tempo das possibilidades, da fluidez e da alegria. Vivemos uma juventude livre, desprendida de antigos padrões sociais, de âncoras soltas e liberdade sexual. Olhamos para trás com a estranheza de quem observa um paredão cinza e opressor. 


Somos a era do movimento e da alegria, nem que esta seja apenas figurada nas telas das redes socials, mas não haveria discordância entre o que nos fazemos acreditar ser e o que realmente somos?


De acordo com a OMS, em 2015 o número de pessoas com depressão chegava a 322 milhões, com uma taxa de suicídio de 800 mil pessoas por ano. Nossa auto-imagem não parece se equivaler ao verdadeiro reflexo de nossa geração.

 

 


Alimentamos um mito Edênico em nossos discursos, assim como a Cocanha, país mítico de rios de vinho e banquetes ininterruptos, onde a comida se joga na boca dos homens, fora motivada por uma população medieval faminta e desacreditada de qualquer conforto em suas vidas reais.


O reino de Salomão, o Éden, ou mesmo Eldorado, todos mitos derivados do mesmo ímpeto esperançoso que nos leva a uma positividade extrema nos dias de hoje.

 

 O País da Cocanha


Mas estaríamos, portanto, condenados a infelicidade pela aceitação de uma felicidade inalcançavel, talvez até infantilizada?


A resposta, talvez, habite o equilíbrio. Aceitar a tristeza, não apenas a felicidade. Alimentar o positivismo, mas regulá-lo com doses realistas. Enxergar-se humano e limitado, mas ainda sim capaz. A utopia da perfeição é nossa armadilha, e o nosso mito edênico da plenitude pode, em segundos, tornar-se nossa Ouroboros.

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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