Estás na Idade da Razão

10.08.2017

 

Há uma constante na vida de todo homem, algo inerente à sua condição de ente racional: a obrigação da escolha. Onde morar, com quem se relacionar, que profissão seguir, para onde viajar, que alimento cozinhar... As escolhas são reflexos de todas as ações humanas, da mais ínfima à mais importante, motivadas por uma característica ainda mais impregnada na condição do homem: a liberdade.

 

 Somos, antes de tudo, seres condenados à liberdade, proposição aparentemente equivocada devido ao desejo naturalizado da relação livre com o mundo, porém para cada ação devemos atribuir motivações externas que sirvam de critério para nossas escolhas, e aí o que parece libertador torna-se opressor.

 

“Com efeito, sou um existente que aprende sua liberdade através de seus atos; mas sou também um existente cuja existência individual e única temporaliza-se como liberdade [...] Assim, minha liberdade está perpetuamente em questão em meu ser; não se trata de uma qualidade sobreposta ou uma propriedade de minha natureza; é bem precisamente a textura de meu ser... (SARTRE, 1998, p. 542/543).”

 

 

 

 

Sartre, em sua filosofia de “o Ser e o Nada” atribui a angustia existencial à aceitação de si como responsável pelas suas ações  e, consequentemente, por seus motivadores, podendo negar aspectos morais pré-determinados ou ignorar satisfações pessoais. Creditar o sofrimento da escolha a si mesmo é sentir o peso da liberdade.

 

“Mas e esses motivadores morais, não exerceriam papel importante dentro da liberdade e, portanto, em suas escolhas?”

 

De acordo com a filosofia sartreana, não há valores genéricos que orientem os homens, compete a este criar, com ações concretas, seus valores. Ou seja, a própria atribuição de valor se dá pela ação deste, refletindo em suas futuras escolhas.

 

Toda escolha é fruto de uma liberdade intrínseca a si, tendo como seu agente o responsável pelo seu resultado e reverberações sociais. Não há possibilidade de ignorar as decisões, se manter alheio é exercer sua liberdade de se fingir impotente.

 

"Você renunciou a tudo para ser livre. Dê mais um passo, renuncie à própria liberdade. E tudo será devolvido."

A idade da Razão, Sartre

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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