O Muro (Jean-Paul Sartre)

01.08.2017

 

Quantos significados o vocábulo “muro” pode assimilar? Um paredão de fuzilamento? Uma construção famosa? Um barreira social? Sartre se apropria de todas para refletir a complexidade do homem sobre um mundo em erupção.

 

Publicado em 1939, O Muro é um apanhado de cinco narrativas que fogem ao individualismo pré-guerra e abordam temas como o racismo, o preconceito sexual e os valores burgueses.

 

 

 

Incisivo, Jean-Paul Sartre se rebela contra a visão imposta pela sociedade da época, nos convidando a compreender o homem e o mundo de uma maneira profunda, crítica e melancolicamente libertadora.

 

"Tom saiu escoltado por dois soldados. Dois outros iam atrás levando o garoto pelos braços e pelas pernas. Ele não tinha desmaiado, seus olhos estavam arregalados e lágrimas deslizavam-lhe pelas faces. Quando eu quis sair o tenente me impediu:

- Ibbieta é você?

- Sim.

- Espere aqui, daqui a pouco virão buscá-lo.

Saíram. O belga e os dois carcereiros saíram também. Fiquei sozinho. Não compreendia o que estava acontecendo, mas preferia que tivessem acabado logo com tudo. Ouvia as salvas a intervalos quase regulares: a cada uma delas eu estremecia. Tinha vontade de urrar e de arrancar os cabelos. Mas cerrava os dentes e afundava as mãos no bolso porque queria continuar firme."

Trecho de O Muro, Jean-Paul Sartre, 1939

 

 

 

  

 

Indicação de Luiz Pierotti, Co-Autor do Caos Cultural.

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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