Estrela

25.06.2017

 Estrela

(Vladímir Maiakóvski)

 

Escutai! Se as estrelas se acendem

será porque alguém precisa delas?

Porque alguém as quer lá em cima?

Será que alguém por elas clama,

por essas cuspedelas de pérolas?

Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia,

no coração dos turbilhões de poeira,

ei-lo, pois, que corre para o bom Deus,

temendo chegar atrasado,

e que lhe beija chorando

a mão fibrosa.

Implora! Precisa absolutamente

duma estrela lá no alto!

Jura! Que não poderia mais suportar

essa tortura de um céu sem estrelas!

Depois vai-se embora,

atormentado, mas bancando o gaiato

e dia a alguém que passa:

"Muito bem! Assim está melhor agora, não é?

Não tens mais medo, hein?"

 

Escutai, pois! Se as estrelas se acendem

é porque alguém precisa delas.

É porque, em verdade, é indipensável

que sobre todos os tetos, cada noite,

uma única estrela, pelo menos, se alumie

 

(1913)

 

 

 

 

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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