O Sublime Caos

22.05.2017

 

 

O desconforto, o aparente desiquilíbrio, o incontrolável, o assustador! Definições conjuntas para um dos símbolos utilizados em nosso site e denominador comum do medo e da confusão de uma gama considerável dos homens: o Caos. Seria esta aparente desordem tão nociva quanto parece? Talvez até antagonista de uma possível ordem divina instaurada pelo misticismo, e portanto tão repelida pelo “bom homem”?

 

Do grego Χάος (Cháos), derivado do verbo grego khaínô (χαίνω), que significa "separar", "ser amplo", também podendo ser chamado de Aer (Αηρ), "ar" ou de Anapnoe (Αναπνοη), "respirar", o Caos se liga a ideia do vazio primordial e. segundo Hesíodo, na mitologia, representa a imagem do primeiro deus a surgir no universo, a mais antiga forma de consciência divina.

 

 O Chaos Grego

 

Com essa noção histórica e cientes das transformações que determinadas ideias ganham ao longo do tempo, fica simples compreender a quebra de sua significação em algo, a priori, terrível, que incita a fuga e o desconforto. Mas como explicar, em sua nova significação, o fascínio que tal temor causa em seus reféns?

 

Uma imagem da barbárie urbana, um acidente devastador, gigantescos desastres naturais ou mesmo situações de violência explícita, todas situações que, hodiernamente, são compartilhados indiscriminadamente pelas redes sociais, num evento massivo e paradoxal, completamente contrário à moral natural daqueles que os compartilham, ou ao menos àquilo que o fazem querer que acreditem em ambiente social.

 

Para além da simples frieza, crueldade ou curiosidade, respostas simples para a questão em si, podemos construir a base dessas ações aparentemente injustificáveis sobre um conceito antigo e muito trabalhado ao longo dos anos, o Sublime.

 

O Sublime é uma forma de estética que se distingue do belo e do pitoresco, tendo sido abordado pela primeira vez por Pseudo-Longino, entre o final do século I e o início do século III, sendo posteriormente trabalhada por nomes como Burke, Kant e Schiller.

 

A atração traumática pelo incontrolável é explicada pelo próprio Longino que nos diz que “o sublime é a violência que desequilibra […] a finalidade não é a persuasão de que podemos dispor. O choque surpreende o julgamento e faz-nos sair de nós mesmos, mergulhanos no êxtase. É grande o que nos tira o fôlego, de emoção e de surpresa.”

 

 Ludolf Backhuysen, Navios Encalhe Em Uma Tempestade

 

É, portanto, o espanto, o horror ou o desconforto humano frente a um ato de tamanha violência que o faça se sentir menor, impotente ou mesmo reduzido, sensações parecidas com as descritas em muitos livros religiosos quando o crente se vê inferiorizado pela presença sublime de seu deus, forte e altivo. Tal sensação é batizada em 1757 por Edmond Burke como deligth, “prazer ligado a dor”, “uma espécie de horror silencioso”.

 

Esse êxtase do delight faz com que o homem “sinta dependencia enquanto ser natural” como expectador do sublime (Schiller, 1792) criando também uma “independencia que mantém, enquanto ser racional, com relação à natureza tanto em nele quanto fora dele”.

 

 Friedrich Schiller

 

O sublime não é um conceito dependente do Caos, é um padrão humano presente em diversas esferas, naturais, sociais ou artísticas, mas se faz compreender na interação humana com o Caos, com o fascinio pelo violento, pelo trauma, pelo mórbido e pelo destrutivo, que nos explica como seres naturais. Assim como fora outrora na Grécia mitológica, ainda hoje o Caos tem papél fundamental na compreensão do homem em seu próprio existir.

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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