O Absurdo no Cotidiano

 

 

Albert Camus, em seu ensaio sobre o Mito de Sisífo nos revela que talvez a única questão que realmente deveríamos pensar é o suícidio. De forma brilhante Camus nos apresenta as diversas formas de suícidio e define o conceito do “O homem e o absurdo”, que de forma bem simplificada pode ser definido como aquele sentimento de não pertecimento ao mundo, a sensação de vazio existencial, o que leva ao abandono dessa batalha chamada vida.

 

Pensando no absurdo de Camus podemos analisar como essa estética se relaciona de forma análoga a peça de teatro de Luigi Pirandello: “Seis personagens à procura de um Autor”, no qual personagens recém criados de uma peça simplesmente não entendem a sua origem, o nome da peça e não sabem nem a sua própria identidade. Nesse cenário caótico, os personagens entram em uma busca deseperada para encontrar o seu autor, na esperança de descobrir o seu papel dentro da peça.

 

Acervo Itaú Cultural: Encenação da Peça "Seis Personagens à Procura de um Autor"

 

Ao refletirmos sobre essa situação, podemos nos questionar: é possivel entendermos nossa identidade e papéis no mundo sem entrarmos em contato direto com o nosso autor? Qual seria nosso papel em uma peça de teatro que não sabemos o nome e nem qual deveria ser o nosso papel? Será que viveríamos as segundas terças quartas hojes amanhãs como se tudo estivesse “normal”? Será que durante uma aula na faculdade, um café no trabalho, um jantar com a família, não iremos sentir aquele vazio, aquela sensação de absurdo que se encontra alojada dentro de nossas mentes? Segundo Camus, em algum momento de nossas vidas, independente de cultura ou classe social (pode ser por apenas alguns minutos) provalelmente perceberemos que há uma arquitetura de aparência a nossa volta, talvez elegante e aconchegante, porém com pouco significado para entendermos a nossa essência.

 

Entretanto, em contraponto a toda essa sensação de absurdo, sempre haverá uma grande platéia (sim eles estão em toda parte) sedentos para que você e eu nos conformemos com a realidade de papéis sociais exercidos sem questionamentos, cometendo todos de forma silenciosa uma espécia de suicidio intelectual coletivo. Geralmente, pertencer a um grupo, mesmo que tavez esse grupo renegue a nossa essência, é uma alternativa mais fácil e rápida. Enfrentar a platéia e reconhecer que estamos perdidos ou que não sabemos o sentido de nossas existências não deve ser visto como uma atitude de fracasso ou rebeldia para com a vida, mas sim como uma forma de autoconhecimento de nossas limitações como personagens de uma peça sem verdadeiros papéis ou scripts.

 

Uma rápida solução para essa problemática seria o escapismo de definir a vida como uma causa perdida e por consequência decidir abandoná-la. Camus reforça que ao acreditarmos muito em uma causa a ponto de morremos por ela, talvez já há algum tempo desistimos de nossas vidas. Ao falar desse tema, o autor nos fala do exemplo de Galileu Galilei, que ao ser questionado pela a igreja católica sobre suas teorias científicas e sabendo das consequências ao defender sua tese, simplesmete renega tudo. Alguns poderiam o julgar errado, mas Camus nos fala: Qual é o nosso real interesse em saber que a terra gira em torno do sol? O que esse fato afeta nossa vida de forma objetiva? Pois é, criar causas que valem mais que a sua vida também pode ser uma forma de suícidio...

 

Uma possível resposta a toda essa complexidade existencial talvez é aceitarmos que estamos em mundo de pouca compreensão, entretanto isso não nos deveria levar ao suícidio, pois assim como nos é exposto no Mito de Sisífo, provavelmente estejamos condenados a carregar uma pedra montanha acima, sem nunca encontrar o cume ou algo que nos dê estabilidade, porém talvez o significado não esteja na chegada ou na estabilidade de pensamento, mas apenas no caminho constante dentro de um cenário absurdo e em nossa busca para talvez um dia  enterdemos ou despertarmos nossa real essência...

 

Albert Camus

 

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RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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