• Marcelo Pierotti

Poema: Elogio à Derrota


ELOGIO À DERROTA (a um hamster caolho, há muito defunto)

I. Muito do Hagakure, meu amigo, acabou datado como os cabelos e a honra daqueles senhores orgulhosos demais para serem seus vizinhos em Sorocaba, Tatuí, São Paulo, Presidente Prudente ou qualquer município minimamente decente nas últimas semanas deste verão perdido.

O que tento dizer é (dois-pontos) ponha uma pedra para sempre sobre tsujigiri mas lembre-se da morte, porque tem coisa que sai de moda mas você para sempre vai transcender a consciência direto pro todo domínio de coisa nenhuma.

II. Pense na morte porque do parto ou do café que esfriou é um pulo, de sua mãe não restou nada desde a mudança e daí para trás é apenas suposição desnecessária.

Pense na morte durante sua cagada matinal – após o primeiro cigarro antes do pão com manteiga – enquanto é tudo suspenso sobre o dia e sobre a louça.

O dia não existe, aliás, e sentido não passa de superstição besta (dois-pontos) pense na morte porque qualquer caminho é o caminho.

(pontuar para além seria preconceito)

III. Pense nela agora que não quero mais palco – após a comunicação falhar toda palavra é só passatempo.

O que tento dizer é que Sal Buscema e Dostoiéviski, Vincent Price ou Baudelaire, urgente se faz que dê tudo na mesma.

IV. Só pense na morte chegada faz tanto agora que você partiu há pelo menos dez anos.

Você estava correto quando fugia da gaiola na madrugada pelo simples querer o lado de fora.

V. Ultimamente só desenho retratos que acabam sempre, todos, no lixo.

Mas não me arrependo.

Abraços e recomendações carinhosas, não deixe nunca de não ser.

-(Marcelo Pierotti, 18 de novembro de 2016)

Marcelo Pierotti, autor do livro Domingo no matadouro, nasceu em Tatuí, no dia 5 de maio de 1984. De lá partiu para outras cidades e casas pelo interior do estado – dentre as cidades, sua terra natal de escolha: Sorocaba – até se assentar por enquanto em São Paulo, onde se gradua em Letras pela USP. Publicou em fanzines num passado remoto, em alguns sites pequenos o tempo todo e teve uma experiência bruta mesmo que rápida com esquetes de humor para a internet. O livro Domingo no matadouro foi premiado pelo ProAC - 2012 - Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura - e integra a Coleção Patuscada.

RESSURECTIONE

POR LUIZ PIEROTTI

 

Em meio à festa, à dança. à diversão: o tempo passa.
Em meio ao trabalho, o relatório, o feedback: o tempo passa.

Durante o domingo, durante o sexo, durante a partida de futebol e a risada pós piada, cada segundo passa, escorrendo pelo rastro de tantos outros segundos perdidos, de tantas outras ideias esquecidas, de tantos outros desejos abandonados.

Se uma ideia não realizada é uma ideia inexistente, então também cada palavra não proclamada é um pensamento inexistente. Cada plano abandonado uma rendição prévia. E a cada tópico anteriormente citado, uma inexistência de parte do que nos constitui.

Totentanz é a recordação do tempo constante, é a observação do tudo no agora.

É a busca, mesmo que sempre busca, da observação do caos em sua plenitude.

O Manifesto não busca a individualidade, nem a remediação do singular. 

Pretende a busca da identificação exterior do sujeito de Rimbaud. O continente humano de John Donne. A celebração de Whitman. A razão de Hamlet. O tempo: Chronos e Kairós.

   MANIFESTo TOTENTANZ    

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